Frio
A chegada de mais um vilão
As baixas temperaturas acendem mais um alerta para os cuidados com a saúde
Jô Folha -
A semana começou fria em todo Estado, com temperaturas próximas de zero graus. Em Pelotas, a segunda-feira teve mínima de 2ºC. De acordo com o Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPMET) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o que tem causado a queda nas temperaturas é uma massa de ar frio que desde terça-feira tem perdido a intensidade. Ela permanece no Estado, porém mais fraca, deixando os próximos dias com temperaturas não tão baixas. Se por um lado o friozinho é tão esperado por muitos, por outro, acende o alerta para os problemas que atacam o sistema respiratório e são provocados pelas baixas temperaturas.
A pneumologista e professora da UFPel Silvia Macedo, alerta para dois grupos de doenças que costumam ser mais frequentes nesta época do ano: as que provocam a infecção das vias áreas como resfriados, gripes e sinusites e as doenças alérgicas como asma e rinites. No primeiro caso, Silvia diz que os cuidados adotados desde o ano passado para evitar a contaminação por coronavírus acabaram fazendo com que houvesse uma diminuição nestas doenças. Por isso ela reforça a necessidade do uso da mascara, evitar locais fechados, higienizar as mãos com álcool em gel e caso espirrar, tapar a boca ou o nariz com o braço. Caso os devidos cuidados não sejam tomados, a professora diz que alguns quadros virais podem ocasionar em infecções bacterianas como otite e pneumonia. Contra a gripe, a médica ressalta a importância da vacina, uma medida preventiva a mais que está disponível para a população.
Já no caso das doenças alérgicas por serem crônicas, Silvia diz que exige um tratamento continuo, pois caso haja exposição ao frio, não irá desencadear sintomas. “O asmático ou o paciente com rinite precisam se dar por conta que mesmo não sentindo nada, a doença tá ali”, alerta a médica.
Impactos na rede de saúde
No Pronto Socorro de Pelotas (PSP), desde o início de maio já foi possível notar um aumento expressivo na demanda por atendimentos a doenças que possuem relação com as baixas temperaturas. Segundo a diretora da instituição Odineia da Rosa, mesmo com as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) atendendo exclusivamente pacientes com síndromes gripais ou Covid-19, o PSP é procurado para assistência de outras patologias diretamente relacionadas com o frio, como a hipertensão e as doenças cardiovasculares. Com este cenário, levando em consideração a situação da pandemia no município, aumenta a preocupação com a retaguarda de leitos, caso haja um agravamento no quadro clinico do paciente.
O mesmo aumento na procura foi notado nas Unidades Básicas de Saúde, segundo conta a diretora da Atenção Primária, Mariane Laroque. Ela relembra que o turno da manhã nas UBSs é usado exclusivamente para o atendimento de pacientes com síndromes gripais, decisão de grande ajuda para o momento. “Muitas vezes questionamos esta destinação do turno da manhã para síndromes gripais, pois não tínhamos tanta procura e acabava sobrecarregando as equipes da tarde que atendem outras patologias, mas agora, estamos percebendo um aumento na demanda, o que justifica essa divisão”, comenta Mariane. A procura por atendimentos é maior para sinusite e amigdalite.
Baixa procura pela vacina contra gripe
Desde o dia 19 de maio, está sendo feita em Pelotas a aplicação da vacina contra a gripe. Este ano, o imunizante é do tipo trivalente que protege contra três cepas de Influenza: H1N1; H3N2 e B (Victoria). Atualmente está sendo executada a segunda etapa dos grupos prioritários com a imunização de crianças entre seis meses e menores de seis anos, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, indígenas, professores e idosos com mais de 60 anos. A previsão é que a terceira etapa da Campanha Nacional Contra a Influenza comece dia 9 de junho. Nesta fase, pessoas com comorbidades, com deficiências permanentes, caminhoneiros e outros grupos começarão a receber a vacina.
Mesmo com sua importância para a proteção contra doenças respiratórias e consequentemente o agravamento do estado de saúde, a procura pela vacina é considerada “discreta” pela chefe da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Aline Machado da Silva. Das 156,315 mil pessoas que integram a população alvo em Pelotas, 140 mil ainda devem receber a vacina. Apenas 10,4% já foram imunizadas. Só após o fim da vacinação para os grupos prioritários, que a doses remanescentes serão aplicadas no restante da população.
A imunização pode ser feita nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e também no Centro de Especialidades, localizado na rua Voluntários da Pátria, 1.420, das 13h30min às 16h30min, com exceção das UBSs da zona rural, que atendem das 13h às 15h. As Unidades Jardim de Allah, CSU Areal e Balsa não estão realizando a vacinação, pois funcionam somente no turno da manhã. Para receber o imunizante é necessário ter em mãos um documento de identidade e o CPF ou cartão SUS. Caso tenha, o usuário pode levar a carteira de vacinação.
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